Decisão da Oi afeta todas as empresas que prestam serviço para operadora
A decisão da Oi em reduzir 20% dos seus custos no orçamento atingirá diretamente todas as empresas que prestam serviço à operadora.
Em junho de 2003, a Oi terceirizou para a Nokia Siemens, em média, 200 empregados da CGR, setor essencial para qualidade dos serviços aos clientes. Nesse processo de terceirização, os trabalhadores perderam benefícios conquistados ao longo dos anos pelos trabalhadores.
Essa redução de custos da Oi já causou demissões em massa na Telemont, não só no Rio de Janeiro, mas em todos os estados onde a empresa presta serviço a Oi. A Telemont e as outras empresas não informaram o numero de trabalhadores demitidos, mas a estimativa é que chegarão a dez mil demissões em todo Brasil.
Em fevereiro, o Sinttel-Rio obteve a informação que os supervisores da Telemont, cumprindo orientação de superiores, estavam listando um grande número de trabalhadores para serem demitidos. Um supervisor chegou a informar ao sindicato que, após as demissões, o número de trabalhadores será insuficiente para realizar a manutenção na área coberta pela equipe.
Sindicato apura denúncias
O Sinttel-Rio, através do diretor Jose Adolar, entrou em contato com o coordenador geral da Telemont que informou ao sindicato que haveria apenas algumas demissões, em função de redução de custos, mas que não seria um número significativo.
O diretor Adolar também contatou o diretor regional do Rio de Janeiro que informou que haveria algumas demissões. Mas justificou que os trabalhadores a serem demitidos foram contratados em outubro e novembro de 2009 e trabalhariam no prazo de experiência ou até seis meses.
O sindicato, com essas informações, fez uma denúncia ao Ministério Público e uma audiência foi convocada. Compareceram na audiência o Sinttel-Rio e a Telemont que, através de seus representantes, informou que desconhecia a informação e solicitou um prazo para se pronunciar sobre o assunto. Na ocasião, a advogada do Sinttel-Rio informou à procuradoria que as demissões seriam a nível nacional.
Qualidade dos serviços será comprometida
Mediante a denúncia, a Telemont suspendeu temporariamente as demissões em fevereiro, mas deu continuidade em março. A informação de que as dispensas seriam estendidas à Nokia Siemens deixou a categoria apreensiva.
As demissões não foram somente de empregados no período de experiência ou com até seis meses da empresa. Dezenas de trabalhadores que migraram da Logictel para a Telemont estão sendo dispensados.
O funcionamento dos serviços de telecomunicações no estado do Rio de Janeiro corre sério e iminente risco de apagão. A precarização dos serviços de mão de obra já era sentida no dia a dia: a Oi é uma das empresas com mais ações de consumidores no Procon e no Tribunal de Pequenas Causas.
Com as demissões, haverá uma redução drástica no atendimento e manutenção dos serviços de telecomunicações. Os supervisores estão denunciando ao sindicato que ficará impraticável a operação dos serviços.
Trabalhadores são desrespeitados
O descaso com os trabalhadores já era visível com o desrespeito em relação à jornada de trabalho e as folgas. Muitos estão sendo convocados permanentemente para trabalhar por falta de pessoal para que as áreas possam ser atendidas.
Na área de Friburgo, demitiram em torno de 11 trabalhadores, permanecendo apenas dois para atender toda área da cidade, além de Cordeiro, Cantagalo, Cachoeira de Macacu e outros municípios vizinhos.
Em Niterói, Alcântara e adjacências, as supervisões reuniram os trabalhadores e informaram que OSC, cabista, entre outras funções terão que atender a todos os serviços, o que acarretará redução da qualidade, visto que a qualificação do trabalhador é específica para a função que ele exerce.
O Sinttel-Rio recebeu várias denúncias de trabalhadores que estão sendo obrigados a atender a duas ou três microáreas, com queda da qualidade do serviço, estabelecendo praticamente o regime de trabalho escravo na rede externa.
Os trabalhadores estão desesperados com a situação complicada que estão vivenciando. Muitos se endividaram para adquirir um carro, atendendo à solicitação da empresa e, agora, estão desempregados.